PARASITAS?

Artigo do diretor-adjunto de Comunicação da Afisvec, publicado na edição desta sexta-feira, 14, no jornal Correio do Povo.

*Paulo Guaragna

A demonização do serviço/servidor público merece alguma reflexão. Fala-se em governos falidos e inchados, atribuindo ao excesso de funcionários a falência do estado. E parcelas formadoras de opinião e bem colocadas na vida parecem concordar com isto. Isso é um massacre e explico o porquê.
Primeiro porque a folha de pagamentos do Estado é composta basicamente por três áreas: educação, saúde e segurança. Queremos menos profissionais de saúde atuando para a população mais carente? Queremos menos professores dando instrução para uma massa de alunos que não tem acesso ao ensino privado? Queremos menos policiais militares e civis atuando nas ruas, na investigação de crimes e em presídios?

Sabem por que a despesa não cabe na receita? Por que editamos uma Lei Kandir (e depois a constitucionalizamos) que retira cerca de R$ 5 bilhões por ano da receita do Estado. Por que o RS tem mais de R$ 11 bilhões em renúncias fiscais oriundas de determinados setores/produtos que não são tributados, o que nos causa perplexidade pela natureza de muitos deles, como por exemplo, a indústria dos agrotóxicos.

Além disso, assinamos uma renegociação da dívida que se mostrou criminosa e interminável. Por que governantes irresponsáveis criaram enormes passivos em precatórios. Esses são apenas alguns dos exemplos.
Por fim, cabe ressaltar a excelência em diversos setores do funcionalismo. Nos fiscos, no judiciário, no Ministério Público, Tribunais de Contas, entre outros. Temos uma Polícia Federal investigativa e bem treinada, um programa de renda que proporciona um pouco de dignidade a milhões de brasileiros. Temos um serviço gratuito de saúde, o SUS. Apesar da pouca estrutura, é reconhecido como o melhor do mundo. Possuímos centros de excelência no combate ao câncer, como no Hospital Conceição, por exemplo.

Então, quando pensares em chamar os servidores de “parasitas” ou dizer que o Estado não lhe dá nada, reflita. É uma injustiça contra milhares de pessoas que trabalham ou trabalharam para você.

• Auditor Fiscal da Receita Estadual – diretor da Afisvec