Reunião entre governo do RS e Cpers termina sem acordo em Porto Alegre

Um novo encontro foi agendado e deverá contar com a presença do governador Eduardo Leite

Reunião entre o secretário estadual da Educação e a presidente do Cpers terminou sem acordo
Reunião entre o secretário estadual da Educação e a presidente do Cpers terminou sem acordo | Foto: Gustavo Chagas / Rádio Guaíba / Especial / CP

Um dia após o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul determinar um prazo de 72 horas para que o governo apresente um plano de recuperação de aulas, a reunião entre o secretário estadual da Educação, Faisal Karam, e a presidente do Cpers, Helenir Schürer, terminou sem acordo no final da manhã desta terça-feira na sede da secretaria, em Porto Alegre. Um novo encontro, agendado para esta quarta-feira, deverá ser realizado com a presença do governador Eduardo Leite. 

Em entrevista coletiva, Helenir destacou que entre os principais pleitos da categoria dos professores estão o pagamento dos dias letivos parados, recuperação das aulas, nenhuma punição e o fim do corte do ponto. “Nós tivemos um debate, com o governo olhando a questão legal, citando o desconto dos contracheques. Nós mostramos que sofremos descontos. Nós também colocamos ao governo que se for uma questão legal, nós vamos aguardar, em greve, a decisão do Tribunal de Justiça sobre o tema”, explicou a presidente do Cpers. “Acredito que este não é do nosso interesse e nem do governo. Deixamos nas mãos do governo a decisão de quando acabará a greve”, acrescentou.

Na saída da reunião de hoje, o secretário Faisal Karam declarou que o governo analisará ainda hoje as solicitações do Cpers. “Nós ouvimos as reivindicações e são justas. No entanto, vamos discuti-las com o governador. Depois, amanhã, iremos atender novamente o Cpers para darmos o retorno sobre seus pleitos”, afirmou. 

Em greve desde novembro 2019 

A greve dos professores, iniciada a partir da divulgação do pacote de medidas de Eduardo Leite, começou em 18 de novembro do ano passado e impactou diretamente na conclusão do ano letivo de milhares de estudantes. 

O impasse envolve o pagamento dos dias parados durante a greve. Com ponto cortado, os professores que não trabalharam durante o período não receberam. O Executivo sustenta que valores serão pagos quando as aulas forem retomadas e recuperadas pelos trabalhadores. O Cpers reivindica receber os vencimentos ainda durante a paralisação. O governador já destacou que o foco estrito está no aluno, sem que o governo estimule paralisações ou greves: “O corte do ponto se fez necessário porque respeita, inclusive, o dinheiro do contribuinte porque se não houve a prestação do serviço, eu não posso e não vou pagar”, frisou.

Como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) já divulgou o listão do vestibular, o governo do Estado determinou a publicação de um decreto que garanta a emissão de certidões provisórias para alunos do 9° ano do Ensino Fundamental e do 3° ano do Ensino Médio para que não tenham prejuízo em matrículas em cursos técnicos ou superiores.