Após alta no lucro, Banrisul estuda financiar investimentos privados no RS ao redor de R$ 1 bi

Presidente do banco estadual convocou interessados em “cravar estacas” no Estado a procurar a instituição, que em quatro anos quase não contratou empréstimos para novos projetos

O anúncio do lucro efetivo de R$ 1,048 bilhão do Banrisul em 2018 foi acompanhado de um pedido de seu presidente, Luiz Gonzaga Veras Mota, para que empresas interessadas em investir no Estado procurem o banco para se financiar. As ações preferenciais do banco estadual subiam, logo depois do meio-dia, quase 7% na bolsa de valores. Na gestão que atravessou a recessão, financiamentos de longo prazo foram raridade, dada a crise.
– Temos R$ 11 bilhões para emprestar – avisou, detalhando que os critérios seguem rigorosos na definição da concessão de financiamento, a exemplo dos últimos anos. 

A coluna apurou que o Banrisul negocia neste momento entre três e quatro projetos de médio porte, que totalizam quase R$ 1 bilhão em aportes no Estado. Nesses casos, o banco participa da estruturação dos negócios, em parceria com outras instituições. Os dados apresentados nesta terça-feira (12) também são uma espécie de balanço da gestão de Gonzaga, iniciada no governo Sartori.

Ao contrário do que se esperava, o governador Eduardo Leite não acompanhou a apresentação dos dados. O secretário da Fazenda, Marco Aurélio Cardoso, afirmou que a indicação para o comando do Banrisul está sendo definida “no gabinete no governador”. Conforme a coluna apurou, alguns convites foram feitos, mas Leite ainda não bateu o martelo. Por três vezes, reiterou que o governador está comprometido em não privatizar o Banrisul

Também há expectativa sobre outra decisão de Leite relacionada ao Banrisul: pressionado a aumentar o volume das garantias para aderir ao Plano de Recuperação Fiscal do governo federal, o Piratini estuda duas opções: a venda do excedente de ações ordinárias que garantem o controle ao Piratini ou a abertura de capital da Banrisul Cartões.

Gonzaga abriu sua apresentação com dados da Vero, a divisão de cartões que teria capital aberto, destacando sua contribuição para os resultados do banco e destacando o alto retorno sobre o patrimônio líquido da subsidiária, de 28,6%. Alertou, também, que nos próximos anos a tendência é de que esse negócio perca rentabilidade, por conta do aumento da concorrência. Para ouvidos atentos, foi um recado de que uma abertura de capital agora seria mais vantajosa. Há divergências na atual diretoria sobre a melhor opção. Indagado sobre qual seria a opção do governo, Cardoso afirmou que ambas estão em análise, nenhuma foi descartada, mas ainda não há decisão tomada.

Fonte: Zero Hora
Foto: Banrisul / Divulgação