Temer pressiona ministros e redistribui cargos para tentar aprovar reforma da Previdência

Governo também acelerou a liberação de emendas parlamentares

Com apenas uma semana para aprovar a reforma da Previdência ainda este ano, o presidente Michel Temer decidiu enquadrar ministros para que obriguem seus deputados a votarem a favor da proposta. Em troca de apoio também intensificou a negociação de cargos e acelerou a liberação de emendas parlamentares.

Na ofensiva em busca dos 308 votos necessários para aprovar o texto, Temer pediu aos ministros da Educação, Mendonça Filho (DEM); da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD); e dos Transportes, Maurício Quintella (PR) para que convençam suas bancadas a fecharem questão a favor da reforma – ou seja, que obriguem os deputados a votarem como o partido manda, sob o risco de punição.

Um levantamento do Grupo Estado identificou que 40 dos 104 deputados que compõe as bancadas dos três partidos votam contra a reforma. Só 12 disseram ser favoráveis ao texto. Outros 26 se declaram indecisos. Nesta terça-feira, 12, o ministro da Educação foi até a Câmara para se reunir com os deputados do DEM. No encontro, propôs que o partido deliberasse sobre fechamento de questão na convenção marcada para esta quinta-feira, 14. E saiu animado:

— Temos um nível de adesão muito alto.

Pelas contas do ministro, dos 30 deputados que a sigla tem hoje, 25 devem votar a favor da reforma. Kassab e Quintella também intensificaram conversas na bancada.

— Estou trabalhando diariamente e estamos melhorando.— afirmou o ministro dos Transportes.

Sua expectativa é que a bancada, com 37 integrantes, entregue mais de 25 votos favoráveis. Kassab afirma que, após sua atuação, os votos favoráveis já alcançaram 22 dos 38 deputados.

O governo também acelerou a liberação de emendas parlamentares para tentar convencer os deputados. Nos primeiros dez dias de dezembro, já foram reservados R$ 474,1 milhões, mais do que os R$ 434,9 milhões de todo o mês anterior. Até domingo, foram empenhados R$ 6,2 bilhões no ano. Com parte da ofensiva, Temer ordenou que seus auxiliares destravassem nomeações no governo. O Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira, por exemplo, trouxe mais de 10 exonerações e nomeações.

Em Cidades, Temer exonerou Luis Paulo Vellozo Lucas do cargo de secretário nacional de Programas Urbanos, que era do PSDB. Para o lugar dele, deve ser nomeado um nome do PRB. Nos próximos dias, os outros quatro secretários serão exonerados e seus cargos serão divididos entre PP (Habitação); DEM (Transporte) e PR e PMDB. Temer também intensificou a negociação de cargos. Ofereceu o comando da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) ao líder do PR, José Rocha (BA). Rocha avisou que aceita o cargo, mas não garantiu seu voto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: GaúchaZH

Foto: Antonio Cruz / ABR